
Encontro em Campo Grande debate novos cenários e desafios para a erradicação do trabalho infantil
Evento reuniu especialistas e autoridades para discutir a exploração infantojuvenil na era digital, em grandes empreendimentos e na agricultura familiar
03/06/2026 - Em um dia de intensa programação, especialistas, gestores e representantes de instituições públicas e entidades parceiras se reuniram, nesta quarta-feira (3), durante o V Encontro Estadual de Enfrentamento ao Trabalho Infantil, um espaço de diálogo que possibilitou compartilhar conhecimentos, experiências e estratégias para assegurar maior eficácia nas ações de combate e erradicação da prática ilícita.
Organizada pela Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (SEAD), a iniciativa ocorreu no auditório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Campo Grande, com a finalidade de que fossem apresentadas soluções focadas no fortalecimento de políticas públicas e na garantia de direitos fundamentais de crianças e adolescentes.
A programação do encontro se dividiu em três eixos temáticos, que abordaram as múltiplas dimensões do trabalho infantil contemporâneo. O primeiro painel discutiu o trabalho infantil na internet, analisando os novos desafios impostos pela era digital. Já o segundo eixo direcionou atenção para os grandes empreendimentos e seus impactos sociais, especificamente o enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes em contextos de expansão econômica. Por fim, debateu-se a proteção integral no campo, com ênfase no combate ao trabalho infantil na agricultura familiar.

Sobre os obstáculos na agricultura familiar, Simone Rezende ressaltou a necessidade de "mudar a realidade de milhares de crianças e adolescentes, protegendo-os dos acidentes, garantindo-lhes uma educação formal e desenvolvimento integral", sem descuidar da importância econômica dessa atividade para o país. Ao tratar da exploração em grandes empreendimentos, ela traçou um paralelo histórico com as indústrias têxteis do século XVIII, reforçando que os novos cenários tecnológicos exigem "legislações e regulamentações criativas e estratégias de atuação adequadas".
Finalizando sua fala, Rezende citou o artigo 227 da Constituição Federal, afirmando que a erradicação dessa prática impõe uma abordagem multifacetada. "Somente através da colaboração e do compromisso de todos os setores da sociedade é possível garantir que as crianças e adolescentes sejam protegidos e tenham seus direitos respeitados", pontuou a procuradora.
Fiscalização virtual
Um dos eixos centrais do V Encontro foi o primeiro painel, intitulado Trabalho Infantil na Internet: Desafios na era Digital, que contou com a participação das especialistas Ana Elisa Alves Brito Segatti e Ingrid Soria. Durante o debate mediado pela procuradora Simone Rezende, ressaltou-se que a agilidade das inovações tecnológicas tem criado dinâmicas de exploração e demandado que o poder público e a sociedade identifiquem prontamente essas inéditas práticas ilícitas.
O painel enfatizou a urgência de formular leis e regulamentos capazes de acompanhar a velocidade das mudanças digitais, além do desenvolvimento de estratégias de fiscalização e intervenção específicas para o ambiente virtual, que superem os métodos tradicionais de enfrentamento do trabalho infantil.
O encerramento dos debates temáticos ficou a cargo do painel Proteção Integral no Campo: O Enfrentamento do Trabalho Infantil na Agricultura Familiar, realizado no período da tarde. Sob a mediação de Izildinha Netto Bueno Barbosa, os especialistas Maristela Borges de Souza Saravi, Bel Silva e Lucas Garcia da Silva discutiram ações para transformar a realidade de milhares de jovens que vivem no meio rural.
O evento também contou com a palestra magna de Edvania Freitas de Lima, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que analisou os novos cenários e desafios para a proteção integral de crianças e adolescentes.
Fonte: Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul
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