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MPT-MS reforça combate à violência contra mulher ao aderir à campanha “Você Merece um Amor Leve”

Iniciativa estimula o engajamento de todos pela cultura do respeito, equidade e não violência

24/06/2025 - O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) oficializou, no último dia 18, sua adesão à campanha “Você Merece um Amor Leve”, durante evento realizado na sede em Campo Grande. A atividade foi promovida pelo Comitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade e marcou um diálogo profundo com as promotoras de Justiça Lívia Carla Guadanhim Bariani, Clarissa Carlotto Torres e Renata Goya, que compartilharam reflexões sobre o enfrentamento à violência de gênero.

A campanha, idealizada pelo Ministério Público Estadual, chega à sua 3ª edição com o objetivo de sensibilizar a sociedade sul-mato-grossense diante dos alarmantes índices de violência doméstica e familiar. Entre 2015 e 2024, o estado registrou 937 casos de feminicídio, sendo que 84,3% das vítimas não contavam com medidas protetivas à época do crime.

A iniciativa vem se consolidando como uma importante ferramenta de conscientização e mobilização social, levando a mensagem de que o amor verdadeiro jamais machuca – e que toda mulher tem o direito de viver sem medo, com respeito, liberdade e dignidade.

Responsabilidade coletiva

Durante o encontro, os relatos das promotoras de Justiça trouxeram à tona o impacto da violência doméstica no cotidiano das instituições públicas e na vida pessoal de servidores. Na ocasião, a procuradora-chefe do MPT-MS, Cândice Gabriela Arosio, relembrou a morte trágica da servidora Vanessa Ricarte, vítima de feminicídio, e destacou como o caso despertou um senso de responsabilidade coletiva.

Procuradora-chefe Cândice Arosio
Procuradora-chefe Cândice Arosio
“Vanessa nos colocou em um quadro de questionamento do nosso verdadeiro papel como instituição e como seres humanos. Ela estava dando sinais velados de que algo estava acontecendo, porém, infelizmente, nós não fomos capazes de enxergar e de ajudá-la. Precisamos aprender a identificar esses sinais”, disse Arosio.

Com ampla trajetória na área criminal e no apoio às vítimas de violência doméstica, a promotora de Justiça Lívia Bariani ressaltou a importância do preparo e do fortalecimento da rede de apoio às mulheres em situação de risco.

Promotora de Justiça Lívia Bariani
Promotora de Justiça Lívia Bariani
“A vítima não consegue enxergar que aquela primeira violência, seja ela psicológica ou física leve, vai progredir. A dependência emocional, hoje, é o maior obstáculo para romper o ciclo de violência. E nós, ocasionalmente, deixamos essa violência passar despercebida. Às vezes, a mulher vem contar uma questão do trabalho e ela já expõe uma situação na família. Então, por isso, as campanhas, as capacitações de quem trabalha com o público são muito relevantes”, observou.

Bariani também destacou os avanços legislativos, como a transformação do feminicídio em crime autônomo pela Lei nº 14.994/2024, com pena ampliada para 20 a 40 anos de reclusão, além da seriedade das medidas protetivas – que hoje podem ser solicitadas sem a necessidade de um registro de ocorrência policial.

Construção social: controle e desvalorização da mulher

Promotora de Justiça Clarissa Torres
Promotora de Justiça Clarissa Torres
Para a promotora Clarissa Carlotto Torres, especialista em Direitos Humanos das Mulheres, a violência doméstica é um fenômeno enraizado em desigualdades estruturais e culturais.

“A violência resulta de questões culturais e precisamos entender que esse assunto não é apenas um problema do Estado, mas da sociedade como um todo. Podemos fazer a nossa parte ensinando um filho sobre a importância de homens e mulheres serem iguais, ensinando que as mulheres podem ser o que elas quiserem, ensinando sobre a importância da divisão de tarefas do lar. A situação é muito mais profunda e diz respeito à forma como a gente pensa e à forma como a gente age. Falar sobre isso é o primeiro passo para mudarmos essa realidade”, sublinhou.

Ela também apontou que apenas 12% das vítimas de violência doméstica buscaram ajuda, segundo a última edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada no ano passado.

Trauma para além de quem perdeu a vida

Em sua exposição, a promotora Renata Goya destacou a necessidade de ampliar o olhar para o impacto do feminicídio em toda a rede familiar, especialmente nas crianças que ficam órfãs. Segundo ela, o Núcleo de Apoio às Vítimas de Crimes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul tem atuado para garantir atendimento humanizado aos familiares das vítimas.

Promotora de Justiça Renata Goya
Promotora de Justiça Renata Goya
“O feminicídio não alcança somente a vítima diretamente atingida pelo crime. Precisamos também olhar para as crianças que ficam órfãs, por exemplo. E esse é um movimento nacional de entender e de valorizar a vítima. Precisamos entender quem são todas as vítimas”, sustentou.

Além dos relatos feitos pelas promotoras de Justiça, o evento reforçou a desconstrução de mitos culturais que perpetuam o silêncio das vítimas, como “em briga de marido e mulher não se mete a colher” ou “ruim com ele, pior sem ele”. A campanha também orienta sobre os diversos tipos de violência – psicológica, física, sexual, moral, patrimonial e virtual – e enfatiza os sinais do chamado ciclo da violência: fase de tensão, explosão, arrependimento e reconciliação.

Números alarmantes

Dados do Dossiê Feminicídio do Ministério Público de Mato Grosso do Sul alertam para o aumento expressivo da violência contra a mulher e dos feminicídios consumados. De janeiro a dezembro de 2024, o estado registrou 27 feminicídios e 82 tentativas.

Já entre janeiro e maio de 2025, o dossiê aponta 14 feminicídios consumados e mais de 20 tentativas – um aumento que supera 300% em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve três feminicídios consumados e 14 tentativas.

A culpabilização da vítima, o medo de denunciar, o apego emocional e o compromisso de manter a família unida são fatores que favorecem o índice crescente de feminicídios no país.

Fonte: Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul
Informações: (67) 3358-3034 | (67) 99227-9803
www.prt24.mpt.mp.br | X: @MPT_MS | Instagram: @mpt_ms

Tags: Ministério Público do Trabalho, Mulher, proteção dos trabalhadores, Mulheres, Violência Doméstica, Violência de gênero

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