
Maternidade: retorno ao trabalho deve ser tratado como processo e não ruptura
Durante roda de conversa na sede do MPT-MS, psicóloga Lia Alcaraz falou sobre adaptações que podem ajudar nas responsabilidades profissionais e pessoais da mulher que se torna mãe
09/05/2025 - Discutir abertamente sobre maternidade permite que tanto instituições públicas quanto empresas privadas entendam melhor as necessidades das mães e sintam-se capazes de promover políticas que favoreçam o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Com esse propósito e inspirado pela proximidade do Dia das Mães (11), o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) estimulou a troca de experiências sobre essa jornada tão cheia de desafios e alegrias com uma roda de conversa mediada pela psicóloga Lia Rodrigues Alcaraz, especialista em psicoterapia analítica, luto e neuropsicologia. O encontro foi organizado pelo Comitê Regional de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade e reuniu servidoras e funcionárias terceirizadas, além de outras pessoas interessadas no tema.


“Acho que esse é o momento ideal para mostrarmos a força da mulher, abordando situações específicas como o cuidado com o local de trabalho da mulher gestante, inserindo-se nesse contexto a insalubridade e outras condições impróprias à permanência dela naquele ambiente. Há situações físicas e psicológicas que a gente precisa diferenciar”, enfatizou Ferreira.

“Nós, integrantes do comitê, estamos à disposição caso alguma mãe, alguém que sinta alguma necessidade, seja no retorno ao seu trabalho ou mesmo nas atividades cotidianas, queira conversar com a gente. Eu, que sou uma recém-mãe, senti dificuldades emocionais no retorno ao trabalho, pois são mudanças muito grandes e que exigem adaptações que precisamos fazer na nossa vida”, comentou Pereira.

Ser mãe: uma nova identidade

Em sua apresentação, Alcaraz contribuiu com descrições sobre os processos de mudança física, emocional e social, os quais alcançam fases como a gestação e o puerpério; reconfiguração e sobreposição de papéis na vida pessoal e profissional da mulher; projeções que recaem em torno da idealização da “mãe perfeita”; sentimentos de inadequação, culpabilização, autoexigência e julgamento social voltado às escolhas maternas.
“São muitas inquietações na vida de uma mãe. Ela quer ser reconhecida enquanto profissional, quer se sentir capaz de amamentar, precisa lidar com a privação de sono e com as mudanças em sua rotina, quer que o filho se apoie e encontre nela um suporte. E, quando ela entra nessas dualidades, vem um mundo de insegurança”, contextualiza Lia Alcaraz.
Em meio a esses conflitos entre maternidade e carreira, acrescenta a profissional, podem surgir desafios de ordem psíquica para a mulher, como ansiedade e depressão pós-parto, capazes de gerar profundos impactos na produtividade e em sua autoestima. Neste momento, observa a psicóloga, ter acesso a uma rede de apoio bem estruturada, seja no ambiente familiar, em espaços de escuta ou até mesmo acolhimento institucional, por meio de uma comunicação aberta com empregadores, é fundamental para encontrar caminhos que conduzam ao equilíbrio emocional.
“A maternidade exige adaptações profundas e o retorno ao trabalho deve ser tratado como processo e não ruptura, pois, apoiar mulheres nesse momento é investir em saúde mental e bem-estar coletivo”, concluiu Lia Alcaraz.
Fonte: Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul
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Tags: Ministério Público do Trabalho, Coordenadoria de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho , COORDIGUALDADE, Trabalho da mulher, Igualdade no Trabalho, discriminação de gênero

























