Roda de conversa no MPT-MS debate microviolências contra a mulher e desafios da equidade de gênero

Espaço de escuta coletiva reforçou convite para que homens e mulheres desconstruam práticas naturalizadas e atuem como multiplicadores de respeito em seus lares e círculos sociais

31/03/2026 - O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul realizou, na última sexta-feira (27), uma roda de conversa sobre o tema Microviolências contra a mulher, como parte da campanha institucional Apoie uma mulher no trabalho. O encontro reuniu membros, servidores, estagiários e profissionais terceirizados, com a finalidade de estimular reflexões sobre comportamentos cotidianos que sustentam a desigualdade de gênero no ambiente laboral e social.

A atividade foi conduzida pela psicóloga clínica Mariela Nicodemos Bailosa, que abriu o diálogo chamando atenção para atitudes habituais que perpetuam diferenças de gênero. “As microviolências são formas sutis de desrespeito, como brincadeiras, comentários ou atribuições que naturalizam a desvalorização e o controle das mulheres”, destacou. Segundo ela, o limite entre uma interação comum e a microviolência reside no efeito causado na vítima, independentemente da intenção de quem a pratica.

O impacto dessas práticas, acrescentou Bailosa, é cumulativo: ao longo do tempo, minam a autoestima e a segurança das mulheres, dificultando sua progressão na carreira e permanência em espaços de poder.

Presente à abertura do evento, a procuradora-chefe do MPT-MS, Cândice Gabriela Arosio, ressaltou a complexidade dos desafios enfrentados pelas mulheres, mesmo quando alcançam altos níveis de formação e competência. “Existe um teto de vidro. Mesmo estando aptas e preparadas, muitas vezes não conseguimos avançar em razão das barreiras invisíveis. Superar essas dificuldades é um processo histórico, talvez não da nossa geração, mas das nossas filhas, quando conquistarmos uma igualdade real”, afirmou.

Já a procuradora do Trabalho e presidente do Comitê Regional para Equidade de Gênero, Raça e Diversidades, Rosimara Delmoura Caldeira, realçou a importância de discutir violências sutis que passam despercebidas. “Quando falamos em violência, pensamos em situações graves. Mas as microviolências ocorrem no cotidiano e muitas vezes são reproduzidas sem intenção. É fundamental trazer esse cuidado para dentro da instituição”, disse.

Impacto do machismo na igualdade de oportunidades

Durante sua fala, a psicóloga Mariela Bailosa contextualizou o debate a partir da distinção entre feminismo e machismo. “O machismo é uma estrutura social, política e cultural de dominação masculina, que sustenta desigualdades. Já o feminismo é um movimento político que luta pela igualdade de direitos e oportunidades. Não são opostos: um é estrutura de poder, o outro é luta por equidade”, pontuou.

No Brasil, os homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres. Essa diferença é atribuída, conforme a psicóloga, a comportamentos de risco vinculados à agressividade, impulsividade e ao descaso com o próprio corpo, frutos de uma cultura machista que resulta em altos índices de mortes por suicídio, violência e acidentes de trânsito.

“Isso ocorre porque eles utilizam estratégias mais letais e eficazes para tirar a própria vida, muitas vezes por não conseguirem lidar com suas emoções ou pedir ajuda, já que o cuidado com a mente é frequentemente estigmatizado como ‘frescura’ ou ‘coisa de mulher’", pontuou Mariela Bailosa.

Invisibilidade na divisão sexual do trabalho

O chefe da Divisão de Gestão de Pessoas e integrante do Comitê de Equidade de Gênero, Renan Carlos Kerber, levantou dados que reforçam a persistência das desigualdades. “Um estudo da ONU Mulheres aponta que a equidade plena entre homens e mulheres só será alcançada depois de 2100. E isso não se deve apenas ao acesso a cargos de poder, mas principalmente ao trabalho doméstico invisível, que continua recaindo sobre as mulheres”, observou.

Repressão emocional e dificuldade com frustrações

Desde a infância, muitos meninos são ensinados a não chorar e a não expressar dor ou vulnerabilidade. Sobre a questão, a servidora Letícia Brambilla de Ávila compartilhou experiências pessoais que ilustram a importância de educar meninos para a sensibilidade, rompendo com o ciclo de agressividade em situações cotidianas.

“Essa repressão emocional prejudica a capacidade do homem de lidar com frustrações na vida adulta, como o fim de um relacionamento ou a perda de um emprego. Além disso, a falta de autoconhecimento pode dificultar a construção de relações saudáveis, podendo levar a padrões de opressão e controle sobre o outro”, relatou.  

A construção de uma masculinidade saudável foi corroborada, pela palestrante, como um caminho para reverter esses danos, permitindo que o homem experiencie sua subjetividade sem a necessidade de provar força constante, dominar o outro ou anular suas emoções.

“Falar sobre violência contra a mulher é uma estratégia para vivermos em uma cultura de paz. Ter a sala cheia de homens e mulheres é simbólico e todos somos fundamentais para a construção de uma cultura de paz e baseada no respeito”, concluiu Mariela Bailosa.  

Ao criar um espaço de escuta coletiva, o encontro convidou homens e mulheres a desconstruírem práticas naturalizadas e atuarem como multiplicadores dessas atitudes em seus lares e círculos sociais. A iniciativa integrou as ações do Comitê Regional para Equidade de Gênero, Raça e Diversidades e foi realizada como parte da agenda mensal em alusão ao Dia Internacional da Mulher.

Acesse aqui a galeria de imagens do evento.

Fotos: ASCOM/MPT-MS

Fonte: Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul
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Tags: Ministério Público do Trabalho, Trabalho da mulher, proteção dos trabalhadores, Mulheres, Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho, Igualdade no Trabalho, Violência de gênero

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