Fórum Mulher com apoio do MPT oferece curso de português para haitianos

O curso básico de idioma busca acabar com principal barreira de refugiados haitianos

18/12/2015 – No dia 2 de dezembro, teve início o curso de língua portuguesa para haitianos que moram em Campo Grande (MS). O objetivo é a inserção social, cultural e linguística dos cidadãos refugiados. As aulas são resultado da parceria do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Fórum de Trabalho Descente – Mulher, com apoio da Pastoral do Migrante.

O curso de nível básico tem duração de dois meses e atende haitianos com pouco conhecimento da língua portuguesa. As duas turmas são formadas por 35 refugiados, entre homens e mulheres, nas comunidades Divino Espirito Santo no bairro Santa Rita e Santíssima Trindade no bairro Vila Progresso.

Direitos humanos e ensino de português
O material escolhido para o ensino de português visa suprir outra necessidade apontada por estes trabalhadores, a de conhecer os aspectos culturais e a organização do país. A cartilha "Pode Entrar: Português do Brasil para Refugiadas e Refugiados" foi desenvolvida por meio da parceria entre a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o Cursinho Popular Mafalda e a entidade Caritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP) e traz como conteúdo temas de direitos humanos.

Em cada capítulo da apostila são discutidos e apresentados, por exemplo, os direitos dos refugiados e o combate à violência contra a mulher. A cartilha aborda também informações do dia-a-dia como o preenchimento de formulários, emissão de documentos e contatos para denúncias, e contém um glossário com tradução para quatro idiomas, inglês, francês, árabe e espanhol.

Comunicação é principal barreira
Durante atuação do MPT, trabalhadores haitianos apontaram a comunicação como principal dificuldade encontrada para garantir seus direitos. Para o procurador do trabalho e coordenador da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete), Cícero Rufino Pereira, “o importante é começarmos a integrar estes cidadãos, trabalhadores haitianos e seus familiares e a língua. Quero agradecer ao professor de francês, Gustavo Saldiva, por seu desempenho e apoio”.

O haitiano e médico oftalmologista Jean Zephyr, que acompanha a situação dos haitianos em Campo Grande e denunciou irregulares trabalhistas no MPT, também vê o idioma como a principal barreira. “Sem conseguir falar e entender o que os outros falam eles não conseguiam ir à polícia, conversar, ir no hospital, fazer coisas que qualquer pessoa faz. Então comecei a dar aulas de português”, explica Jean.

O Fórum de Trabalho Descente - Mulher desenvolveu o projeto para suprir esta necessidade emergencial. “Verificou-se que uma das principais demandas para a inserção social do referido grupo é a necessidade do aprendizado do idioma e mais conhecimento da cultura brasileira. O idioma é percebido como empecilho para a inserção no mercado de trabalho”, relata Márcia Paulino, uma das coordenadoras do Fórum Mulher.

Fonte: Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul
Informações: (67) 3358-3034/3035
www.prt24.mpt.mp.br | twitter: @MPT_MS

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