Dourados: Embrapa inaugura Laboratório de Análises Ambientais beneficiado com aporte do MPT

Novo espaço irá monitorar a existência de agrotóxicos nas principais bacias hidrográficas do estado

25/06/2019 - A partir de julho, será possível descobrir a presença ou não de 55 diferentes tipos de agrotóxicos nas principais bacias hidrográficas de Mato Grosso do Sul. Essa atividade de pesquisa, com olhar acurado sobre possíveis contaminações em rios – e também sobre a água potável de alguns municípios –, será desenvolvida pelo Laboratório de Análises Ambientais da Embrapa no Município de Dourados.

A inauguração do novo espaço ocorrerá nesta sexta-feira (28), em solenidade com início às 9h. O generoso investimento de mais de R$ 3 milhões é proporcional às contribuições que a análise de até 200 amostras mensais de recursos hídricos pode oferecer para sociedade e meio ambiente. “A Embrapa pretende utilizar as informações coletadas para fins científicos e desenvolvimento de procedimentos e tecnologias sustentáveis que permitam a mitigação de impactos ambientais, caso a presença de agrotóxicos nas águas superficiais venha a ser confirmada”, explica o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rômulo Penna Scorza Júnior.   

Parcerias

Dos cerca de R$ 3 milhões investidos na construção física do prédio, aquisição de modernos equipamentos e pagamento dos padrões analíticos, R$ 1,7 milhão veio da Embrapa. O restante foi rateado entre Prefeitura Municipal de Dourados, por meio do Instituto do Meio Ambiente de Dourados (R$ 452 mil), Ministério Público do Trabalho (R$ 397 mil), Ministério Público de Mato Grosso do Sul (R$ 392 mil) e Ministério Público Federal (R$ 65 mil).     

“Essa parceria é a concretização de esforços coletivos, pois desde o início da cooperação sabíamos a relevância de se obter dados científicos com qualidade assegurada e que pudesse subsidiar o monitoramento de águas superficiais no estado", destaca Rômulo Penna.

A destinação feita pelo MPT deu os primeiros passos em 2015, quando um termo de compromisso celebrado com a Embrapa Agropecuária Oeste – e chancelado pela Vara do Trabalho de Naviraí – possibilitou a compra de um cromatógrafo gasoso com espectrômetro de massas. Com esse equipamento, a Embrapa pode extrair, de modo automatizado, diversos resíduos de agrotóxicos das amostras de recursos hídricos.

Os valores aplicados na aquisição do cromatógrafo e, posteriormente, na execução de projeto arquitetônico para a construção do laboratório partiram de um acordo judicial firmado entre o MPT e a JBS S.A., em 2013, como resultado de processo movido contra a indústria frigorífica. A JBS deveria registrar o início e o término da jornada de trabalho de seus empregados no portão de acesso ao vestiário do estabelecimento em Naviraí.

“A contaminação por agrotóxicos gera efeitos deletérios tanto à saúde do trabalhador quanto de toda a comunidade. Promover a higidez do meio ambiente, nele incluído o do trabalho, é uma das metas prioritárias do MPT”, enfatizou o procurador do MPT-MS Jeferson Pereira, autor do processo que motivou a doação.

Laboratório

O novo prédio foi construído na Embrapa, próximo às instalações do moderno Laboratório de Piscicultura da Unidade. Ele possui 361 m², conta com salas para recepção, acondicionamento e análise de amostras. Além disso, todas as atividades analíticas serão realizadas de acordo com protocolos de Boas Práticas de Laboratório, que são baseados na normativa ISO 17.025, que orienta o Sistema Embrapa de Qualidade, e em consonância com a legislação vigente.

Agrotóxicos

Nos últimos anos, o consumo de agrotóxicos no Brasil se multiplicou de forma alarmante, mas a maioria da população não está educada para perceber o veneno que come, bebe e respira, e que causa doenças fatais e até mutações genéticas.

O progressivo envenenamento do país tem provocado reações em diferentes frentes que se preocupam com a dimensão do problema. As agências de jornalismo investigativo Repórter Brasil e Pública, por exemplo, criaram o Robotox, um robô que tuita a cada novo veneno liberado pelo governo. A ferramenta revelou que 197 agrotóxicos foram liberados desde o início do ano, segundo o Diário Oficial da União. Destes, 48 são considerados “extremamente tóxicos”.   

A Greenpeace, uma Organização Não Governamental (ONG) ambiental, acrescenta que 25% dos produtos aprovados pelo governo em 2019 são proibidos na União Europeia, sendo oito moléculas ou misturas de glifosato, herbicida associado a um tipo de câncer.

Em outro relatório, a ONG suíça Public Eye estampa que Brasil e Estados Unidos se igualam no consumo de agrotóxicos, apesar da diferença de população e da área agrícola cultivada. Juntos, os dois países respondem por 36% do total de pesticidas utilizados no mundo, conforme dados de 2017.

A distribuição por países é completada pela União Europeia, com 13% do total, e por China e Argentina, com 11% cada. Menos de um terço dos agrotóxicos (29%) são consumidos por todos os demais países do mundo.

Serviço

Solenidade de inauguração do Laboratório de Análises Ambientais.
Data: 28 de junho de 2019 (Sexta-feira)
Início: 9h
Embrapa Agropecuária Oeste
Rodovia BR-163 km 253,6 (trecho Dourados-Caarapó)
Dourados/MS

Fontes: Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul e Embrapa Agropecuária Oeste
Informações: (67) 3358-3035
www.prt24.mpt.mp.br | twitter: @MPT_MS | instagram: @MPT_MS

Tags: agrotóxicos, Ministério Público do Trabalho, dano moral coletivo , saúde e segurança

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